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Ozonioterapia

Ozonioterapia é segura? O que o CFM e a SBOM dizem sobre segurança

Onde a evidência apoia, onde ela ainda falta — e como a regra brasileira protege você.

Dr. André Piacentini
Médico Ortopedista · CRM-SP 168107 · RQE 85470
16 de outubro de 2026 6 min de leitura
Ilustração editorial simbólica de uma molécula de ozônio translúcida flutuando sobre uma superfície clínica polida, com feixes de luz suave e vidraria médica desfocada ao fundo, em tons de petróleo, dourado e creme.

"A ozonioterapia é segura, doutor?" Essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório. E a resposta honesta não cabe num sim ou num não. Quando o assunto é a segurança da ozonioterapia, tudo depende da via, da dose, da indicação e de quem aplica. Aqui, eu te mostro o que dizem o CFM e a SBOM — sem promessas mágicas e sem esconder o que ainda falta comprovar.

Por que "é segura?" é a pergunta errada

Segurança, em medicina, nunca é uma característica fixa. É um cálculo. O mesmo recurso pode ser seguro numa situação e arriscado em outra.

Com a ozonioterapia acontece o mesmo. O ozônio (O3) é um gás. Na dose certa, pela via certa e na indicação certa, o risco tende a ser baixo. Fora disso, ele cresce.

Por isso eu troco a pergunta. Não é "é segura?". É: segura para quê, por qual via e em quais mãos?

O que mudou: a Lei de 2023 e a Resolução do CFM de 2025

Por muitos anos, a ozonioterapia viveu numa zona cinzenta no Brasil. Isso mudou em duas etapas importantes.

A Lei nº 14.648/2023 autorizou a ozonioterapia como prática complementar. Ou seja: um apoio ao tratamento, nunca um substituto. Ela também exige que o equipamento seja certificado pela Anvisa e que a aplicação seja feita por profissional de saúde habilitado.

Depois veio a Resolução CFM nº 2.445/2025. Esse é o marco que faltava para nós, médicos. O Conselho revisou a evidência com critério e liberou usos específicos.

Entre as indicações autorizadas pelo CFM estão:

  • Feridas crônicas, por aplicação tópica: úlceras venosas, arteriais isquêmicas e do pé diabético;
  • Feridas infecciosas agudas;
  • Como terapia adjuvante na osteoartrite (artrose) de joelho;
  • Como adjuvante na dor lombar por hérnia de disco.

Repare na palavra adjuvante. Ela significa "que soma", não "que substitui". Faz toda a diferença.

O que o CFM ainda considera experimental

Aqui está o ponto que quase ninguém te conta. A mesma resolução que libera também restringe.

O CFM manteve como experimentais as vias sem evidência suficiente: intravenosa, retal e inalatória, além do uso estético. E o uso para câncer segue proibido, exceto dentro de pesquisa clínica formalmente aprovada.

Uma técnica ser "autorizada" não significa que qualquer aplicação dela esteja liberada. A via e a indicação pesam tanto quanto o recurso.

O que a SBOM defende sobre segurança

A SBOM — Sociedade Brasileira de Ozonioterapia — é uma das entidades que organizam a prática no país. O foco dela, na vida real, é reduzir o risco.

Sociedades médicas sérias e consensos internacionais, como a Declaração de Madri sobre ozonioterapia, convergem em alguns pilares:

  • Formação técnica de quem aplica;
  • Protocolos padronizados de dose e concentração;
  • Equipamento certificado, com registro sanitário;
  • Avaliação clínica individual antes de cada sessão.

Ou seja: a segurança da ozonioterapia mora mais no processo do que no gás em si. Padronização protege o paciente.

Onde estão os riscos de verdade

Nenhum tratamento é isento de risco. Ser honesto sobre isso faz parte do meu trabalho.

Os pontos que mais me preocupam são estes:

  1. Inalação. O ozônio irrita as vias respiratórias. Ele nunca deve ser respirado diretamente.
  2. Dose e concentração erradas. "Mais" não é melhor. Excesso vira dano.
  3. Contraindicações ignoradas. Há situações que pedem cautela — por exemplo, a deficiência da enzima G6PD, uma alteração do sangue que aumenta o risco de reações. Por isso eu avalio cada caso antes.
  4. Equipamento sem certificação e mãos sem treino. Aqui o risco não vem da técnica. Vem de quem a executa.

Perceba um padrão. Quase todo risco sério nasce de um atalho: pular a avaliação, ignorar a dose ou confiar em quem não tem preparo.

O que perguntar antes de começar

Você tem o direito de perguntar. Um bom profissional responde sem rodeios.

  • Qual é a minha indicação e por quê?
  • Qual via e qual dose serão usadas?
  • O equipamento tem registro na Anvisa?
  • Isso soma ao meu tratamento atual ou tenta substituí-lo?

Se as respostas forem vagas, considere isso um sinal de alerta.

Como eu enxergo a ozonioterapia na Ortopedia

Trabalho com Medicina Regenerativa e integrativa. Isso não é sinônimo de modismo — é o contrário disso.

Vejo a ozonioterapia como uma peça que pode entrar num plano maior. Em casos selecionados de artrose de joelho ou de dor lombar por hérnia, parte da evidência sugere alívio da dor quando ela entra como adjuvante — e é nesse formato que o CFM a autoriza. Ainda assim, a evidência é limitada, e eu prefiro ser transparente sobre isso.

O que ela não é: cura, garantia ou "pacote milagroso". Desconfie de quem promete isso. Eu prefiro te explicar, com calma, o que esperar — e o que não esperar.

Perguntas frequentes

A ozonioterapia é aprovada pelo CFM?

Sim, para indicações específicas, desde a Resolução CFM nº 2.445/2025. Feridas crônicas e, como adjuvante, a dor de artrose de joelho e de hérnia lombar entram nessa lista. Outras vias seguem consideradas experimentais.

Ozonioterapia cura hérnia de disco ou artrose?

Não. Nenhum tratamento sério promete cura para essas condições. Em casos selecionados, a ozonioterapia pode ajudar no controle da dor, como parte de um plano. Sempre como apoio, nunca como substituto.

Quais são os principais riscos?

O ozônio jamais deve ser inalado. Fora isso, os riscos vêm de dose incorreta, contraindicações não avaliadas e equipamento sem certificação. Uma boa avaliação prévia reduz muito esse cenário.

Posso fazer por qualquer via, como soro na veia?

Não como rotina. As vias intravenosa, retal e inalatória seguem classificadas como experimentais pelo CFM. As aplicações autorizadas são locais e específicas, sempre com indicação clara.

Se você está pesquisando ozonioterapia por causa de uma dor no joelho ou na coluna, o melhor caminho é conversar. Cada caso tem seu contexto — e a decisão mais segura é sempre a individual, construída junto com você.

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