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Ortopedia Regenerativa

PRP — Plasma Rico em Plaquetas: o que a ciência realmente diz

Como o seu próprio sangue se torna um agente regenerativo poderoso — e em quais casos o PRP funciona melhor.

Dr. André Piacentini
Médico Ortopedista · CRM-SP 168107 · RQE 85470
08 de maio de 2026 5 min de leitura
PRP — plasma rico em plaquetas e regeneração tecidual

PRP virou um termo popular — e, como todo termo que cai na moda, também virou alvo de simplificações. Vamos por partes.

O que é PRP?

PRP é a sigla para Plasma Rico em Plaquetas. É um concentrado obtido a partir de uma pequena amostra de sangue do próprio paciente — separado em centrífuga até que o plasma contenha uma concentração de plaquetas várias vezes maior do que a do sangue circulante.

As plaquetas, além de coagulação, carregam dezenas de fatores de crescimento — proteínas que orquestram a resposta inflamatória e a regeneração tecidual. Quando aplicadas no local certo, em concentração adequada e com técnica correta, elas funcionam como um sinal biológico potente para reparo.

Para que serve, de verdade?

O PRP tem boa evidência científica em:

  • Tendinopatias crônicas (epicondilite, tendinite patelar, fascite plantar, manguito rotador)
  • Artrose de joelho leve a moderada
  • Lesões musculares em atletas
  • Coadjuvante em pós-operatórios selecionados

Em outros cenários — artrose severa, ruptura completa de ligamento, instabilidade articular — o PRP isoladamente costuma ser insuficiente.

Tipos de PRP

Nem todo PRP é igual. As principais variáveis são:

  • Concentração de plaquetas — 3x, 5x, 8x o basal
  • Presença ou não de leucócitos (L-PRP × P-PRP)
  • Ativação — espontânea ou induzida
  • Volume aplicado e localização exata (com ou sem guia de imagem)

Por isso o "mesmo procedimento" feito em dois lugares pode dar resultados muito diferentes. A protocolização e o guia por imagem fazem enorme diferença.

O procedimento dói?

Pouco. Coleta de sangue convencional + aplicação guiada com anestesia local. A maioria dos pacientes descreve sensação compatível com uma injeção comum. Sem afastamento prolongado, sem hospitalização.

Quando começo a sentir resultado?

Os primeiros sinais aparecem em 2 a 6 semanas. O resultado biológico completo se consolida ao longo de 3 a 6 meses. Em alguns casos, repete-se a aplicação em 4–6 semanas.

O que o PRP não faz?

Vamos ser honestos: PRP não é mágica. Ele não regenera uma cartilagem severamente destruída, não substitui uma cirurgia indicada por instabilidade grave, e não funciona sem reabilitação adequada depois.

Funciona muito bem como peça de um plano maior — combinado com modulação, reabilitação e, em alguns casos, outros ortobiológicos.

Se você está considerando PRP, a conversa correta não é "PRP serve pra mim?". É: qual a melhor combinação de abordagens para o meu caso específico?

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