PRP virou um termo popular — e, como todo termo que cai na moda, também virou alvo de simplificações. Vamos por partes.
O que é PRP?
PRP é a sigla para Plasma Rico em Plaquetas. É um concentrado obtido a partir de uma pequena amostra de sangue do próprio paciente — separado em centrífuga até que o plasma contenha uma concentração de plaquetas várias vezes maior do que a do sangue circulante.
As plaquetas, além de coagulação, carregam dezenas de fatores de crescimento — proteínas que orquestram a resposta inflamatória e a regeneração tecidual. Quando aplicadas no local certo, em concentração adequada e com técnica correta, elas funcionam como um sinal biológico potente para reparo.
Para que serve, de verdade?
O PRP tem boa evidência científica em:
- Tendinopatias crônicas (epicondilite, tendinite patelar, fascite plantar, manguito rotador)
- Artrose de joelho leve a moderada
- Lesões musculares em atletas
- Coadjuvante em pós-operatórios selecionados
Em outros cenários — artrose severa, ruptura completa de ligamento, instabilidade articular — o PRP isoladamente costuma ser insuficiente.
Tipos de PRP
Nem todo PRP é igual. As principais variáveis são:
- Concentração de plaquetas — 3x, 5x, 8x o basal
- Presença ou não de leucócitos (L-PRP × P-PRP)
- Ativação — espontânea ou induzida
- Volume aplicado e localização exata (com ou sem guia de imagem)
Por isso o "mesmo procedimento" feito em dois lugares pode dar resultados muito diferentes. A protocolização e o guia por imagem fazem enorme diferença.
O procedimento dói?
Pouco. Coleta de sangue convencional + aplicação guiada com anestesia local. A maioria dos pacientes descreve sensação compatível com uma injeção comum. Sem afastamento prolongado, sem hospitalização.
Quando começo a sentir resultado?
Os primeiros sinais aparecem em 2 a 6 semanas. O resultado biológico completo se consolida ao longo de 3 a 6 meses. Em alguns casos, repete-se a aplicação em 4–6 semanas.
O que o PRP não faz?
Vamos ser honestos: PRP não é mágica. Ele não regenera uma cartilagem severamente destruída, não substitui uma cirurgia indicada por instabilidade grave, e não funciona sem reabilitação adequada depois.
Funciona muito bem como peça de um plano maior — combinado com modulação, reabilitação e, em alguns casos, outros ortobiológicos.
Se você está considerando PRP, a conversa correta não é "PRP serve pra mim?". É: qual a melhor combinação de abordagens para o meu caso específico?