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Ortopedia Regenerativa

PRP no joelho: quando é indicado e o que esperar do tratamento

Para quem o plasma rico em plaquetas costuma ajudar, quando eu evito indicar e o que a evidência atual realmente mostra.

Dr. André Piacentini
Médico Ortopedista · CRM-SP 168107 · RQE 85470
06 de julho de 2026 6 min de leitura
Composição simbólica em tons petróleo e dourado com tubos de centrífuga preenchidos por plasma âmbar ao lado de uma articulação de joelho estilizada e translúcida.

Talvez você já tenha ouvido falar do PRP no joelho como uma promessa de regeneração. Preciso ser honesto com você desde o começo: ele pode ajudar em casos bem selecionados, mas não é mágica nem cura garantida. Aqui explico quando eu indico, quando evito e o que realmente esperar.

O que é o PRP — e o que ele não é

PRP é a sigla para plasma rico em plaquetas. Eu colho um pouco do seu próprio sangue e o processo em uma centrífuga.

Esse aparelho separa as plaquetas do restante do sangue. Elas funcionam como pequenas fábricas de fatores de crescimento, moléculas ligadas a reparo e à modulação da inflamação.

Esse concentrado é então injetado dentro da articulação. A proposta é criar um ambiente biológico um pouco mais favorável dentro do joelho.

Agora, o que o PRP não é. Ele não faz cartilagem nova nascer. Ele não reverte uma artrose avançada nem substitui uma prótese quando ela é realmente necessária.

Quando o PRP no joelho é indicado

A melhor evidência atual aponta para um perfil específico. O PRP joelho costuma fazer mais sentido na artrose de grau leve a moderado.

Consensos internacionais recentes reforçam esse raciocínio. Eles consideram o PRP mais apropriado sobretudo nos graus iniciais a intermediários de desgaste.

Também importa o momento do tratamento. A indicação ganha força quando as medidas básicas já foram tentadas e não bastaram.

Falo de coisas simples e poderosas:

  • Fortalecimento muscular guiado e fisioterapia;
  • Controle do peso, quando ele pesa sobre a articulação;
  • Ajuste de atividades e, às vezes, medicação por um período curto.

Ou seja: o PRP raramente é o primeiro passo. Ele entra como parte de um plano, não como atalho isolado.

Por que esse interesse? Parte dos estudos sugere que, nesse perfil, o PRP no joelho pode aliviar a dor e melhorar a função. Em alguns trabalhos, os resultados foram ao menos comparáveis aos de outras infiltrações, como ácido hialurônico e corticoide, às vezes com duração mais longa.

Ainda assim, sou honesto sobre os limites. Nem todos os estudos mostram o mesmo benefício, e os protocolos variam bastante entre serviços, o que dificulta comparações diretas. Por isso, evito prometer um resultado fixo.

Quando eu prefiro não indicar

Sou criterioso aqui, e quero que você entenda o porquê. Na artrose muito avançada, aquele quadro de "osso com osso", a evidência não sustenta o PRP como solução.

Nesses casos, insistir pode adiar uma conduta mais adequada. Isso inclui, em alguns joelhos, a conversa honesta sobre cirurgia.

Também desconfio de pacotes fechados com número mágico de aplicações. Cada joelho é um joelho. Vender sessões como fórmula pronta não é medicina séria.

Minha régua é simples: indico quando a ciência apoia e quando faz sentido para o seu caso específico — não porque está na moda.

Como é o procedimento, na prática

É um procedimento de consultório, feito em ambiente adequado. Primeiro, colho o sangue, como em um exame comum.

Em seguida, ele vai para a centrífuga por alguns minutos. Preparo então o concentrado e faço a aplicação no joelho.

Quando é útil, uso orientação por ultrassom. Isso ajuda a depositar o material no ponto certo com mais precisão.

Na maioria dos casos de artrose, prefiro o PRP com menos glóbulos brancos. A literatura sugere que essa formulação tende a ser mais bem tolerada pela articulação.

O que esperar depois

Seja realista comigo. É comum sentir o joelho mais dolorido e inchado nos primeiros dias.

Essa reação costuma durar de três a sete dias. Não é sinal de que algo deu errado — é parte da resposta natural do corpo.

O possível benefício não aparece na hora. Ele tende a se construir ao longo das primeiras semanas, muitas vezes entre a sexta e a décima segunda semana.

E preciso ser claro: quando funciona, o efeito não é permanente. A evidência sugere que o alívio pode durar meses, por vezes mais que o de uma infiltração com corticoide.

Por isso, o PRP não encerra o tratamento. Ele costuma render mais dentro de um plano que cuida de força, peso e movimento ao longo do tempo.

Perguntas frequentes

O PRP no joelho substitui a cirurgia?

Nem sempre, e nem sempre é essa a proposta. Em casos selecionados de artrose leve a moderada, ele pode ajudar a adiar ou a evitar procedimentos. Na artrose avançada, porém, não substitui a discussão cirúrgica.

Quantas aplicações são necessárias?

Não existe número universal. Alguns joelhos respondem bem a uma série de aplicações; outros, não. Desconfie de quem promete um pacote fixo antes mesmo de avaliar o seu caso. O que venho observando na minha prática clínica é que, quando associo o PRP à ozonioterapia, a nutrientes e ao ácido hialurônico — o que eu chamo de Infiltração Regenerativa —, a duração do efeito costuma ser maior do que com o PRP isolado. Preciso ser transparente: essa é a minha observação clínica, ainda sem estudos comparativos robustos que a confirmem, e a resposta varia de pessoa para pessoa.

O PRP dói? Preciso me afastar do trabalho?

A aplicação é rápida e costuma ser bem tolerada. Você pode sentir uma leve dor e inchaço nos primeiros dias. Em geral não exige afastamento do trabalho, mas atividades físicas mais intensas devem esperar um pouco para serem retomadas.

O PRP regenera a cartilagem?

Essa é a maior confusão sobre o tema. Ele não faz cartilagem nova crescer. A proposta é modular a inflamação e os sintomas, não reconstruir a articulação.

Se o seu joelho anda limitando o seu dia, vale entender onde você está nessa história. Cada caso pede um olhar próprio, e eu gosto de conversar sobre isso com calma e sem promessas. Podemos avaliar juntos se o PRP faz sentido para você.

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